Há alguns passos de lá…

Faltam três dias para acabar 2009. Faltam apenas três dias e mais alguns meses para terminar a graduação. E aquele medo que todos disseram que eu teria, aquele que neguei durante esses três longos meses desses anos letivos, está tão perto do peito que às vezes tenho medo. A primeira aula que assisti, não me esqueço, a professora falou sobre aprender jornalismo, endurecer o coração, mas jamais perder a ternura.

Não sei o que acontece, mas quando choro já não sei o porque…

E outras disciplinas foram me instruindo e eu fui conhecendo outros profissionais, outros estilos, desenvolvendo meus sonhos e pensando em como, onde e em que lugares gostaria de trabalhar e ainda assim, entrando no quarto ano…não sei se endureci sem perder a ternura…

Escolhendo outros assuntos

Não sei se me impressionou ou se eu estava descrente demais na mídia, mas esta semana li no twitter duas notícias que saíram no site de notícias G1, que abordavam assuntos sobre homo-cultura e sociedade, uma delas era que um jogador norte-americano de rugby (jogo violento, que normalmente é praticado por homens, bem disseminado nos EUA e que começou agora a ser conhecido no país) assumiu sua homossexualidade e o contrato entre Eminen (cantor norte-americano) foi advertido no Festival de Música na Grã-Bretanha, que não deveria apresentar músicas homofóbicas, pois os grupos pró-gays do país não fariam nenhuma manifestação contra ele, como preconceituoso.

Diga que você, amigo internauta não se assustou?! Além de sites especializados, não temos muitas notícias que tratem da vida ou que comente os direitos e os grupos LGBTs. Afinal, esse grupo é uma pequena parcela da sociedade e não é tão interessante para a mídia, mas agora está sendo.

A pauta começa a selecionar assuntos que abordem os movimentos sociais, afinal, grupos anti-sexistas, feministas, LGBTs, são grupos que contrariam o preconceito que assolou tanto tempo nossa sociedade. E esses personagens começam a ser interessantes para os veículos de comunicação e seus públicos.

E ainda temos outras notícias que apareceram na mídia durante 2009

Jogador sofre preconceito por ser homossexual

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1180195-7824-JOGADOR+DE+FUTEBOL+FALA+SOBRE+PRECONCEITOS+QUE+SOFREU+AO+ASSUMIR+SER+HOMOSSEXUAL,00.html

Campinas terá cursos sobre cultura LGBT

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1425026-5605,00-CAMPINAS+TERA+ESCOLA+COM+CURSOS+VOLTADOS+PARA+JOVENS+GAYS.htmlhttp://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1425026-5605,00-CAMPINAS+TERA+ESCOLA+COM+CURSOS+VOLTADOS+PARA+JOVENS+GAYS.html

Começou a visibilidade…esperemos agora e logo poderemos ver a mundança em algumas atitudes. A mídia não desconstrói preconceitos, mas ajuda a tirar alguns estigmas. É esse o papel dela, promover cidadania e criticar qualquer tipo de preconceito.

Mais uma fábula?

Amanhã é Natal. Sim, essa festa cristã, que ao mesmo tempo que comove incentiva o consumo, e talvez por isso, mesmo em um Estado Laico temos essa data como feriado nacional. E neste dia “festivo”, os cinemas receberão “um presente” da Rainha dos Baixinhos, Xuxa.

E sua princesa, Sasha estará estrelando o filme como feiurinha. A Folha de S. Paulo [http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u671013.shtml] contou um pouco sobre a estréia desse filme que promete encantar crianças, trazendo de volta as princesas do Reino Encantado dos Contos de Fadas. Achou inovadora a ideia da Rainha dos Baixinhos?! Não foi.

A Disney lançou há alguns anos vários fílmes que satirizavam a história das princesas e seus “Felizes para Sempre”. E esse não é o primeiro ponto, além disso temos a princesa dos baixinhos, título herdado, atuando pela primeira vez nos cinemas. Que o filme é da mãe,  sabe-se que é um bom método de entrar. Embora, Xuxa tenha aparecido em algumas entrevistas dizendo que pensou muito em colocar sua filha no filme, e ela entrou pelo talento.

Pouco ou Muito, a princesa aparecerá em telonas de todo o país amanhã para mostrar o que é a aposta de uma nova realeza do mundo infantil. Esperamos que não destrua o pouco da beleza da infância que sobrou entre escombros do reinado de sua mãe, que na década de 90 falava de união e alegria entre as crianças e hoje incentiva as crianças a “mexerem com o Tchutchucão”.

Espero talento, como alguém que espera ver nessa menina algum resquício, mesmo sem muita esperança, do que nossa infância guarda e de como crescemos, não destruindo a beleza de crer que um dia existirá o “Felizes para Sempre”.

Carta que não mandarei

Olá você!

Como estão as coisas em sua vida?!

Estava eu hoje pensando em você. Sim, mais uma vez eu parei todos os meus pensamentos e dirigi minha atenção a você! Posso não saber seu nome hoje, mas um dia nos encontraremos e poderei reler essa carta e rir das coisas que pensei nesses momentos débeis…Mais uma carta e os minutos desperdiçados…

Uma carta ao ego

Hoje eu acordei meio brisa leve. Tive uma noite agradável entre os braços do amor. Meus sonhos meio perdidos, meio cansados, ainda me embalam em noites de tempestade em medos que tanto tive. Hoje, eu acordei com um sabor doce e uma vontade ser grande. E descobri que sou aquele menino meio sozinho, aquele sentido meio vazio. A saudade de um tempo que não aconteceu. E hoje, ao acordar não sabia que o mundo me assustaria e que eu teria medo de seguir.

E eu fiz um momento de vontade e eu senti saudades de não ter mais compromissos. E descobri que o tempo não volta e que não vão mais embalar meus machucados e que sofrer já não é mais passar vontade. E descobrir tudo isso em uma chamada telefônica não é de todo agradável. Meus dias já parecem estar meio terríveis e tenho mais uma vez medo de não gostarem de mim. Descobrir…às vezes é bom…me faz saber que sou alguém que teme a vida, mesmo sendo alguém com alma, é alguém com calma que faz de tudo pra sonhar mais uma vez.

Três estrelas perdidas

Já quis viver em um mundo distante deste de hoje. Não gosto de estas aqui e ver que nesse momento eu sou apenas nada e que pouco importa o que acredito. Eu vivo das minhas idéias e acredito nelas tanto quanto acredito que não podemos viver uma vida muda, sem escolhas, sem bandeiras e sem vontades. Viver em silêncio é se oprimir sempre, e já não quero mais ter minha boca tapada por mãos que eu odeio.

Não gosto de gente que não respeita. Isso me irrita. Isso me violenta…Se eu amo, amo com carinho, com paciência, com cuidado. Amo cheio de compreensão e espero sempre poder partilhar do caminho com você…mas, caminhar por dois já não é do meu feitio. Nunca direi que não o fiz, entrentanto, fazê-lo agora vai contra meus ideais…Nunca tive certeza da grandiosidade que todos que me adoram dizem que eu tenho. Até o momento mais leve e mais impreciso, em que eu vi, que sou mais que apenas uma gota. Eu sou mais que um sorriso apático nesse oceano machista, patriarcal, racista e burro que chamam de sociedade.

Eu não quero me contentar com pouco. Não quero ter um casamento heterossexual medíocre, ter filhos para ensiná-los como vivem os meninos e como se portam as meninas. Eu nasci para a discussão, para analisar cada idéia proposta e contrariar-me em frente ao espelho. Eu sou exigente, sempre o fui comigo, e de agora em diante, passarei a exigir dos outros, porque descobri que Sartre, antes mesmo de eu sonhar em reencarnar, havia decifrado esse sentimento de impotência que sinto quando olho pra sociedade…”O inferno são os outros”…isso me alivia…percebo que não sou o único que pensa assim…

E mesmo que fosse. Sei que posso acreeditar em mim…

Mais um ano

Eu acabo de completar mais um ano. Mais uma década de sorrisos, de tristezas e de comemorações. Eu acabo de ver como crescer é algo fundamental e como amar é importante. Um amor mais leve e puro, o amor-próprio. Esses dias comecei a flertar comigo, com o meu eterno amor por um mundo desconhecido, que a cada dia me apaixono. Eu me amo mais a partir desse ano.

Sorrir vai ter outro gosto e ler terá outras cores, a vida mais uma vez se renova e a felicidade se faz presente por esse novo amor!

Devaneios

Todo mundo tem a sua loucura. Sabe aqueles pensamentos que só você entende ou crê neles. Eu necessito da minha auto-crítica para desenvolver grandes teorias sobre pequenas coisas que poderiam alterar bruscamente pequenos detalhes da minha vida.

Nunca me vejo inteiro, mas talvez, estar em tantos pedaços me faz menos confuso. Às vezes me perco em tantas facetas, mas logo me recupero e sigo. É uma constante roda de tese, anti-tese e síntese que me forma a cada nova descoberta de gestos arcaicos.

Outra coisa que percebi, é que sou uma antítese. Necessito de frases e idéias contrárias. Penso sempre no ponto exato e no extremo oposto para ficar sempre no meio de tudo isso. Por vezes já me achei frio, mas chorei com propagandas sentimentalóides que passam na tevê aberta. Uma pessoa extremamente prolixa e que sempre fala o que quer dizer e o oposto para nunca ter uma opinião. Porque assumir uma opinião é assumir uma posição, e eu não faço isso desde que nasci.

Acho que talvez se eu tomasse partido talvez eu encontrasse o que procuro. Ou não. Afinal, ainda não me sinto seguro para julgar. Até porque não considero ninguém “pronto” o bastante para fazê-lo. E assim a madrugada passa, nessa roda viva em que eu fico me construindo-desconstruindo e tentando desvendar mistérios que estão explicados nas folhas daqueles jornais de anos atrás.

Assim vou-me, seguindo uma trilha bifurcada, sempre…

Solidão

“Mas até cortar os próprios defeitos, ou vícios, pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarisse Lispecto)

Acho que um defeito muito estranho que eu tenho é conversar comigo em momentos de solidão. Às vezes, sinto necessidade de cantar só pra saber se minha voz continua lá, normal, com os mesmos tons, sabe?!

Dizia Cecília Meirelles, que a solidão e a tristeza são ótimas para ela, pois só nessa companhia que ela conseguia escrever. Acho que sou partidário dela. Preciso de tristeza e solidão pra poder me expressar, talvez seja pelo receio de ser julgado, talvez seja pelo medo de alguém dizer o que sempre me dizem: “Ora! Pare de ser tão dramático!”. Mas, acho que preciso desse drama para me fazer completo, pra poder respirar mais fundo.

Viver não é só sorrir. E eu acredito muito que quem só sorri, não sabe dar valor a esse gesto. Já quem  chora, sabe o valor de um bom sorriso. Quem não fica sozinho nunca, não sabe sentir o valor das boas amizades e da boa companhia. Acho que quem não sabe curtir e degustar a tristeza não sabe o valor da alegria. E até arrisco a dizer que quem acha que não pode ser maldoso, não conhece o verdadeiro significado de uma boa ação.

Sim, tudo isso passa por essa mente desvairada, nos silêncios das madrugadas frias e solitárias. Às vezes dói um pouco, poque eu sinto o meu peito um pouco pesado, mas é importante sentir essa gama de sensações. Da tristeza medonha até o presente da melhor companhia, há uma gama de situações que podemos viver e saborear.

É assim, que eu sempre aconselho as pessoas que me perguntam o que eu penso sobre um sentimento: “Tristeza? Alegria? Medo? Coragem? Pavor? Felicidade?… Saboreie…

Por favor…

Um pouco mais de piedade.

Nada que não seja justo, apenas quero respirar aliviado

Um pouco mais de sentimento

Só quero que entenda o porquê não amo

Um pouco mais de bondade

Porque de injustiça o mundo já se corrompeu

Um pouco mais de pecado

Para que todos tenham o direito de errar e que ninguém julgue

Um pouco mais de cuidado

Porque estou pela metade do que sou inteiro

Um pouco mais de piedade, por favor…

Para que sorrir não seja um sacrifício e sim uma expressão

As lágrimas molham o papel, mas o que importa

Você nem sabe o quanto dói e pra ti, sou apenas alicerce…

Chorar atrapalha sua vida…

 

(suspiro)

 

(lágrimas)

 

Por favor, tenha um um carinho a mão e um sorriso a face…

POR FAVOR!

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