Trilhas e pecados

Dei passos errados e sei disso

Sei que a vida não é tão difícil, nem tão voraz

Mas parece que gosto de trilhar por caminhos obscuros

E gosto se sofrer censuras incomparáveis de mim mesmo

Nasci com o orgulho no corpo e a força na alma

Pra onde foi isso?

Parece que tudo acaba, tudo emudece

A água apodrece e o fogo perde o ardor, tudo para, nada cresce

As saudades acompanham vidas e vidas, mas o que fiz pra mudar?

 

Nunca aceito o fato de que estou caminhando

Sempre acho que vou falhar, lágrimas, sangue e dor, me sufocam

 

ABRA TODOS OS CAMINHOS E DESTRANCA TODAS AS PORTAS!

Add comment 5, Julho , 2008 Samilo Takara

Máscaras

Nem tudo entendo, às vezes finjo que sei algo que a um instante atrás nunca tinha ouvido na vida. E nem de tudo eu gosto, por mais estranho que pareça, alguém como eu que sempre faz festa e sempre sorri esteja triste, é comum. Palhaços também choram, e mais do que se pensa.

Por mais que a felicidade me perspassa, não sou alguém feliz, às vezes eu choro por dentro enquanto dou um largo sorriso de cumprimento. Nem tudo me é alcançável, mas faço sempre o possível. Nunca deixei muitos estranhos me verem chorar, nunca deixei de sorrir para ninguém, acho que pessoas tristes magoam pessoas felizes. E quem sou eu para magoar alguém. Minha mãe sempre agiu assim, nunca derrame uma lágrima em público, os desesperados não te ajudarão, os felizes não entenderão e os tristes não poderão ouví-lo.

A vida é tão estranha porque há dias em que a felicidade chega pulsando, irradiando, iluminando o caminho e em outros dias, normalmente os chuvosos, nem sabemos qual o dia da semana, apenas choramos por não nos entenderem e não gostarem do que somos.

A necessidade da aprovação faz com que criemos máscaras insuportáveis e que um dia hão de nos sufocar…

Devaneio - Jorge Vercilo

Mergulhei no mar
E não dava pé
Me apaixonei
Mas não sei por quem
Sonho com alguém
Que você não é

Eu me entreguei demais
Eu imaginei demais
E o silêncio fala mais que a traição
Foi um devaneio meu
Um veraneio seu
E um outono inteiro
Em minhas mãos

Vi um sol nascer
Pelos olhos seus
Me deixei levar
Eu não refleti
Que era a luz dos meus
Refletida em ti

Eu me entreguei demais
Eu imaginei demais
E o silêncio fala mais que a traição

Foi um devaneio meu
Um veraneio seu
E um outono inteiro em minhas mãos

Add comment 18, Junho , 2008 Samilo Takara

Paradoxos da Vida

O artigo escrito por Francisco Bosco na revista Cult traz a nossa discussão de tantas e tantas noites, o que define a sexualidade?

Ele acredita na concepção freudiana de que a sexualidade é definida a partir de momentos e vivências que cada indivíduo tem, mas até quando isso mostra o direito à liberdade? Até quando dizer que não é uma escolha ser, e sim é um escolha assumir, seja para si ou para a sociedade o que você pensa ou gosta.

A construção do texto é muito interessante e aborda aspectos tratados por grandes grupos de debate. Mais uma vez os homo=iguais, são tidos como “aberrações sociais”…

 

Quem quiser conferir entre no site que é uma ótima leitura:

http://revistacult.uol.com.br/website/channel/default.asp?chnCode={6F7A3722-112F-433F-A3E4-E3C84292164E}

 

 

 

Add comment 17, Junho , 2008 Samilo Takara

Quantas chances eu tenho?

Quando escolhemos um rumo para seguir não sabemos exatamente quais as coisas que teremos que deixar para trás. A cada passo dado, uma oportunidade diferente é perdida, mas e aí? Quantas chances eu tenho?

Não é simples seguir e dizer: - Me abstenho das coisas do mundo, não quero saber dos imprevistos, aceito ser desafiado e vou lutar com força para ser o melhor. Embora não saiba se amanhã choverá e nem pense que um ser bondoso possa me dar a oportunidade de ser feliz. Sim! Eu aceito não pensar em mais nada e seguir para a guerra. Pode me tirar as chances de ter um futuro, um amor, um filho. Eu vou ser o melhor!

E a vida passará com tanto furor e a cada dia com maior infelicidade e mais angústias destruirei todas as minhas barreiras, alcançarei metas e perderei todas as chances de ser feliz. E ai vem a pergunta: - Quantas chances eu tenho?

Locke em sua sábia frase diria: - Meu jovem, o meio modifica o homem. E eu entenderei como o quê? Que as chances de lutar e ser o melhor me fizeram mesquinho? Não, essa frase tornará meus sentimentos mais comodos, com declarações sobre a escolha da minha vida foi a profissão.

 

E talvez, algum velho amigo (que ainda esteja vivo) quando eu me for para “Summer Island” dirá frases bonitas e em minha lápide pode estar escrito: “Não teve companhia ou filhos, viveu pelo trabalho…um homem bom que nunca pode partilhar a mesma cama e a mesma mesa, mas partilha hoje da mesma terra que aqueles que viveram em sua época”.

Bonito, mas não muito convincente…

 

Quantas chances eu tenho?

Add comment 9, Junho , 2008 Samilo Takara

Mentiras

É tão triste sentir que tudo não passa de ilusão. Parece que as coisas perdem o nexo, a veracidade, o sentido, tornando todos os acontecimentos em repetecos. É difícil acreditar que um animal com o dom de matar pode adoçar nossa vida, eles podem, mas querem muito em troca. Vale a pena? Será mesmo que vale a pena? Disse Fernando Pessoa que tudo vale a pena se a alma não é pequena, mas você vale mesmo a pena?

O medo de pisar em falso, talvez seja maior que minha alma, meu carinho, maior que tudo que o mundo cerca e menor que a vontade que tenho de me entregar em seus braços. Sim, você me faz bem, mas a partir do momento da entrega esse bem pode virar do avesso, me decompor e me desfazer, não sei seguir, não sei pensar em outros caminhos, você é sem nexo, complexo e para mim uma forma que não posso me aproximar.

Quero beber do seus lábios as palavras de um mundo inventado, mas não quero que essa ilusão se quebre e me derrube e me destrua, quero que a felicidade se faça real, mas sei o quanto a ilusão é sua amiga, sei que não posso vencê-la e unir-me a ela e idiotice. Quero ter você em meus braços, mas não sei até onde eu iria. E você?

Até onde iria para me conquistar? Será que me fará feliz? A ilusão não te domina como a mim, talvez só a realidade te amedronte e ela, bom ela me tira todas as amarras e me faz ver a capacidade de amar um desconhecido, de ter uma imagem apaixonante e de te fazer uma jóia cobiçada, mas qual o teu real valor?

Indagações feitas ao espelho e quase nunca respondidas…

Add comment 28, Maio , 2008 Samilo Takara

Sorriso

Doce sorriso, de onde vem tanto brilho? Acredito que não saiba a beleza deste teu gesto, deste teu movimento de músculos, dessa parte divina em ti. Sorri como se fosse eterno o efêmero momento da felicidade. Traz a minha memória (eu um poeta sem passado, sem presente e sem futuro), um alívio de acreditar que te conheço há séculos. Você trouxe mais luz que o imáginavel momento deste singelo sorriso. As lágrimas secam, o céu mostra-se em uma tarde de verão, parece um Sol em minha alma esse sorriso doce que nem sei eu se realmente conheço. Sorriso de Monalisa às avessas, que tem a beleza clara e o mistério do dizer. Sorri e não precisa falar…não fala, mas diz nos olhos e no sorriso o que pensa. Sorriso pecador, safado, cheio de desejo; sorriso triste, sem nexo, apenas um benfazejo. Sorri como se já conhecesse todos os mundos, os tempos, toda a memória…teu sorriso faz verdade as palavras da mulher de cachos que canta:

“Todo sentimento precisa de um passado para existir. O amor não; ele cria como por encanto um passado que nos cerca. Ele nos dá a consciência de termos vivido anos a fio, com alguém que a pouco era um estranho. Ele supre a falta de lembranças com uma espécie de magia…”

Como gosto deste sorriso…

Add comment 27, Maio , 2008 Samilo Takara

Por favor, um pouco mais…

de respeito com as outras criaturas…

Estamos à mesa, um banquete oferecido aos homens, as mulheres e aos animais. Tudo que poderiamos esperar de um anfitrião. A entrada é uma salada verde, algumas árvores derrubadas, algumas algas podres, algumas plantas cobertas de concreto. Como prato principal, alguns peixes que estão boiando, alguns animais que morreram com doenças contagiosas. As grandes infelicidades do mundo estão a frente dos homens famitos que gostam muito do tom verde do dinheiro, do brilho das jóias e dos metais preciosos.

de respeito com aqueles que são diferentes…

Estamos vendo um álbum de fotos, lembranças retradas. Quem não sente saudades das pombinhas que matou? A foto do primeiro tropeçar do irmão, quando colocamos o pé para derruba-lo. Ah, quem não gosta de ver as fotos dos coleguinhas de sala, é prazeroso ver a gordinha chorando depois de meses apavorando ela, e hoje vê-la magra, pálida e próxima da morte por causar crises de desespero nela. Quem não conta com graça o orgulho para o filho quando ve um homem infeliz. “Quando éramos crianças ele era tão delicado, um viadinho que ficava andando com as meninas, uma bichinha que tudo contava para mãe, hoje está casado, mas é fachada, porque a mulher já falou que ele não é homem.

de coragem para ver erros e acertos e os porquês de cada um…

Estamos contando aos nossos netos, como a Alemanha é desenvolvida e que Hitler era um mostro sem coração que matou muitos judeus. Contamos como foi trágico o bombardeio dos Estados Unidos da América sobre o Japão e que eles perderam muito, mas hoje são a maior potência, porque japonês é tudo inteligente. Contamos com orgulho de como era boa a ditadura, os governantes não robavam, a vida era pacata, morriam só os demônios socialistas e eram apedrejados aqueles que fugiam das regras.

de respeito consigo e seus ideais…

Mas ninguém irá até o anfitrião agradecer o jantar e dispensá-lo, que importa quantas vidas foram destruídas para que aquele banquete tenha sido preparado. Quem um dia irá perguntar se a pessoa que fez pratos tão deliciosos está bem e sabe ser feliz? Ninguém nunca saberá o que essa pessoa aprendeu e porque a vida dela hoje se resume em servir uma pessoa que não tem preocupação com os outros.

de ajudar àqueles que não sabem o que fazer…

E ninguém vai tentar se redimir e ver o quanto as pessoas nos ajudam a melhorar. Que importa se meu irmão um tropeçou, não mandei ele ser bobo. Ninguém irá olhar para a anoréxica de hoje e pensar em todos os traumas dela de infância, apenas olharão e com pena, sim, apenas com pena, esse sentimento mesquinho, egoísta e fraco. O infeliz que decidiu esconder sua opção pelo medo das represárias da sociedade será sempre amargurado pelos transtornos que os comuns causaram. Sofrimento e dor, quem os causa esquece, quem os sente e se magoa, nunca esquece.

de consciência e de entendimento de mundo

Muito menos os “cidadãos de bem” saberão as desgraças internas desses grandes vilões, que foram criados pela própria sociedade e apenas ela é culpada de tantas perdas. A tristeza invadiu o coração de muitos e o egocentrismo social do padrão, faz o diferente ser humilhado. O ímpar não é aceito como igual e ninguém nunca pensa na dor causada a esses que não nasceram para serem cópias reproduzidas. Locke fez a máxima que rege muitas vidas “O meio forma o indivíduo”, sofram aqueles que seu meio não os aceitam. Chorem, e gritem, e peçam, e sonhem em vão.

Enquanto não houver entendimento que a construção da realidade e o significado dela depende daqueles que se julgam correto, o mundo será sempre essa distruição. O homem É um animal, o homem sempre espera que os outros o aceitem. O princípio básico da comunicação e da existência social é ser aceito. Se não houverem mudanças e se o mundo “igual” não aceitar a diferença nada mudará.

“Ser corrompido pela maioria é aceitar que está errado, ser feliz e aceitar suas diferenças é mostrar que você está certo”

Por favor, um pouco mais de humanidade e de aceitação, o mundo não será melhor enquanto não houver respeito!

Add comment 20, Maio , 2008 Samilo Takara

Objeção

 O Anel                                                                          A busca por você é um voar eterno, na escuridão a busca por                                                                     algo que nunca fui, mas que sempre quis. Queria que você me visse, queria até que você existisse, com seus olhos oblíquos, seu rosto safado, suas mãos delirantes, seu corpo de pecado, minha vontade de passar o dia em você. Talvez minhas ilusões estejam afetando minha realidade, talvez eu não viva no mundo comum, talvez por isso posso ser o que quero e não o desejo do mundo. Meus sorrisos são sem graça, meu rosto não é perfeito, meu corpo não é o de um deus grego, minhas idéias são um pouco piegas, outras, deveras avançadas, mas eu sou isso. Não vivo fora da minha realidade.

Acho injusto pensar no meu coração do jeito que os outros pensam, minha intenção não é ser igual, porque não gosto do comum, não gosto do de sempre. Ser volúvel é um dom, saber o que gosta também é um dom. Aceitar ordens, acatar desejos, pensar na vida como um dia-a-dia sem graça não é para mim que sou flho da terra. Não é´pra mim a vida mediocre, o cotidiano imutável, as esruturas comuns do social não são para mim.

Há quem diga que a minha vida, como outros como eu ouvem que a vida deles é apenas festa. A festa está sempre em minha vida, para tirar as pessoas dos funerais cotidianos, de enterros diários, de sonhos, desejos, planos, vontades. Minhã avó dizia que faz muito mal passar vontade e eu concordo. Vivo da minha maneira, porque não vou passar vontade, acreditar no que todo mundo acredita, querer o que todos querem.

Ser igual facilita a vida, ser diferente deixa ela mais emocionante, menos piegas, menos comum. O glamour de um pôr-do-sol pra mim é eterno, pois aquele foi o único que vi com tamanho explendor, os outros tantos de minha vida, me passaram sensações diferentes, me criaram visões e emoções diferentes. E a vida vai seguindo…                                                                                                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Add comment 14, Maio , 2008 Samilo Takara

Insensibilidade

Quando não me dizem oi, me sinto apático

Quando não me olham me sinto invisível

Quando não me respondem me sinto vunerável

Quando não me perguntam me sinto inútil…

A vida me fez assim, apático, vilão, ingrato

As margens me fizeram assim quieto, sóbrio, sem força

A luz hoje me incomoda como uma lâmina no peito

A massificação me faz um sujeito fora da sociedade

Me sinto deslocado, sem nexo ou verdade

Parecendo idiota o fato de ser diferente

Por que a igualdade incomoda?

A burrice do trivial me enoja, me irrita

Somos a diferença que move o mundo

E não somos nada, me sinto tão inútil que preferia não existir

E sou tão cômodo que pareço aceitar injustiças

Xingamentos e ofensas para uns

São motivo de paradas e orgulhos

Quem somos, por que somos e o que fazemos?

Hoje o mundo é apenas uma nuvem torpe

Uma deturpação que destrói, que aniquila

A vontade de viver e tira sorrisos

Me fazendo mais um arlequim

Te fazendo mais um pierro

Sem Columbinas, sem amores

Pois o gosto é um gosto amargo de não se adaptar

De sentir-se sempre fora e inútil…

Add comment 12, Maio , 2008 Samilo Takara

Entardecer

       Parece que o mundo não tem mais cor. Elas estão todas misturadas, sem nexo ou entendimento. São apenas borrões pálidos e sem função que necessitam de uma nova pintura. Qual a graça? O mundo perdeu seus sentidos, tornou-se efêmero como uma promoção, ou um momento feliz. Parece que ninguém mais liga para as cores do mundo que agora é branco e preto, vermelho e verde, amarelo e azul…O mundo pra mim perdeu as cores e tornou-se um triste repeteco.

        O Sol se pondo sempre no mesmo lugar, já perdeu a muito tempo a beleza, outrora tão límpida e emocionada. Ninguém diz mais adeus ao Sol, nem reparam que ele está lá em cima. Mas afinal, que importa o Sol ou a Lua, nem mesmo as estrelas são mais símbolo da beleza celestial. Hoje, tudo está igual, inerte, pálido e sem graça, no passar desritmado das horas.

        Quem se importa se o mundo perdeu o som? Que não haja mais festas por não ter mais batuque, mais danças, mais gritos de euforia, a felicidade está de folga, hoje é apenas mais um desses dias ensolarados que se vai. Quem sabe o que aconteceu hoje? Quem viu a importância do hoje em sua vida…Esse dia passou tão lento e ridículo como todos os outros, foi apenas mais um dia de silêncio eterno, de mudez initerrupta, apenas mais um dia.

        Talvez hoje ninguém viu a alegria, ela deve ter ido com Coré ( deusa grega que simboliza a felicidade, foi raptada por Hades para o Submundo, sua mãe, Deméter, deusa da fertilidade e da agricultura triste esquece dos campos, é chegado o frio e o inverno, a esterelidade do solo) para o submundo. A tristeza hoje, chegou com o entardecer para cuidar dos solitários que choram suas dores e amarguram seus rancores planejando maneiras de destruir a humanidade.

       Por agora o mundo não tem mais gosto, o doce, o picante, o saboroso, deu lugar ao insosso, sem nenhum tempero que dominou a boca desses pobres mortais. Hoje a vida parou, sua roda incessante chegou ao inerte, ao fim. O que fazer? Como devolver ao mundo sua vistosa alegria, sua surpreendencia enlouquecedora.

       Hoje o dia é apenas tristeza, as flores são coroas funerárias, a memória hoje atacou o passante e deixou ele perdido. Hoje, nada mais importa, nada mais interessa. Neste momento, a vida é apenas o pulsar do sangue, é apenas o ato de inspirar e expirar, a inspiração está fora, incogitável…A vida hoje é poeira, apenas tristeza, são lágrimas que mancham o contrato social, são os gritos inaudíveis, os gostos insípidos.

A tristeza hoje fez parar um coração…

Add comment 12, Maio , 2008 Samilo Takara

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