Por favor, um pouco mais…
de respeito com as outras criaturas…
Estamos à mesa, um banquete oferecido aos homens, as mulheres e aos animais. Tudo que poderiamos esperar de um anfitrião. A entrada é uma salada verde, algumas árvores derrubadas, algumas algas podres, algumas plantas cobertas de concreto. Como prato principal, alguns peixes que estão boiando, alguns animais que morreram com doenças contagiosas. As grandes infelicidades do mundo estão a frente dos homens famitos que gostam muito do tom verde do dinheiro, do brilho das jóias e dos metais preciosos.
de respeito com aqueles que são diferentes…
Estamos vendo um álbum de fotos, lembranças retradas. Quem não sente saudades das pombinhas que matou? A foto do primeiro tropeçar do irmão, quando colocamos o pé para derruba-lo. Ah, quem não gosta de ver as fotos dos coleguinhas de sala, é prazeroso ver a gordinha chorando depois de meses apavorando ela, e hoje vê-la magra, pálida e próxima da morte por causar crises de desespero nela. Quem não conta com graça o orgulho para o filho quando ve um homem infeliz. “Quando éramos crianças ele era tão delicado, um viadinho que ficava andando com as meninas, uma bichinha que tudo contava para mãe, hoje está casado, mas é fachada, porque a mulher já falou que ele não é homem.
de coragem para ver erros e acertos e os porquês de cada um…
Estamos contando aos nossos netos, como a Alemanha é desenvolvida e que Hitler era um mostro sem coração que matou muitos judeus. Contamos como foi trágico o bombardeio dos Estados Unidos da América sobre o Japão e que eles perderam muito, mas hoje são a maior potência, porque japonês é tudo inteligente. Contamos com orgulho de como era boa a ditadura, os governantes não robavam, a vida era pacata, morriam só os demônios socialistas e eram apedrejados aqueles que fugiam das regras.
de respeito consigo e seus ideais…
Mas ninguém irá até o anfitrião agradecer o jantar e dispensá-lo, que importa quantas vidas foram destruídas para que aquele banquete tenha sido preparado. Quem um dia irá perguntar se a pessoa que fez pratos tão deliciosos está bem e sabe ser feliz? Ninguém nunca saberá o que essa pessoa aprendeu e porque a vida dela hoje se resume em servir uma pessoa que não tem preocupação com os outros.
de ajudar àqueles que não sabem o que fazer…
E ninguém vai tentar se redimir e ver o quanto as pessoas nos ajudam a melhorar. Que importa se meu irmão um tropeçou, não mandei ele ser bobo. Ninguém irá olhar para a anoréxica de hoje e pensar em todos os traumas dela de infância, apenas olharão e com pena, sim, apenas com pena, esse sentimento mesquinho, egoísta e fraco. O infeliz que decidiu esconder sua opção pelo medo das represárias da sociedade será sempre amargurado pelos transtornos que os comuns causaram. Sofrimento e dor, quem os causa esquece, quem os sente e se magoa, nunca esquece.
de consciência e de entendimento de mundo
Muito menos os “cidadãos de bem” saberão as desgraças internas desses grandes vilões, que foram criados pela própria sociedade e apenas ela é culpada de tantas perdas. A tristeza invadiu o coração de muitos e o egocentrismo social do padrão, faz o diferente ser humilhado. O ímpar não é aceito como igual e ninguém nunca pensa na dor causada a esses que não nasceram para serem cópias reproduzidas. Locke fez a máxima que rege muitas vidas “O meio forma o indivíduo”, sofram aqueles que seu meio não os aceitam. Chorem, e gritem, e peçam, e sonhem em vão.
Enquanto não houver entendimento que a construção da realidade e o significado dela depende daqueles que se julgam correto, o mundo será sempre essa distruição. O homem É um animal, o homem sempre espera que os outros o aceitem. O princípio básico da comunicação e da existência social é ser aceito. Se não houverem mudanças e se o mundo “igual” não aceitar a diferença nada mudará.
“Ser corrompido pela maioria é aceitar que está errado, ser feliz e aceitar suas diferenças é mostrar que você está certo”
Por favor, um pouco mais de humanidade e de aceitação, o mundo não será melhor enquanto não houver respeito!

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