Sorriso
Doce sorriso, de onde vem tanto brilho? Acredito que não saiba a beleza deste teu gesto, deste teu movimento de músculos, dessa parte divina em ti. Sorri como se fosse eterno o efêmero momento da felicidade. Traz a minha memória (eu um poeta sem passado, sem presente e sem futuro), um alívio de acreditar que te conheço há séculos. Você trouxe mais luz que o imáginavel momento deste singelo sorriso. As lágrimas secam, o céu mostra-se em uma tarde de verão, parece um Sol em minha alma esse sorriso doce que nem sei eu se realmente conheço. Sorriso de Monalisa às avessas, que tem a beleza clara e o mistério do dizer. Sorri e não precisa falar…não fala, mas diz nos olhos e no sorriso o que pensa. Sorriso pecador, safado, cheio de desejo; sorriso triste, sem nexo, apenas um benfazejo. Sorri como se já conhecesse todos os mundos, os tempos, toda a memória…teu sorriso faz verdade as palavras da mulher de cachos que canta:
“Todo sentimento precisa de um passado para existir. O amor não; ele cria como por encanto um passado que nos cerca. Ele nos dá a consciência de termos vivido anos a fio, com alguém que a pouco era um estranho. Ele supre a falta de lembranças com uma espécie de magia…”
Como gosto deste sorriso…

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