Solidão

“Mas até cortar os próprios defeitos, ou vícios, pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarisse Lispecto)

Acho que um defeito muito estranho que eu tenho é conversar comigo em momentos de solidão. Às vezes, sinto necessidade de cantar só pra saber se minha voz continua lá, normal, com os mesmos tons, sabe?!

Dizia Cecília Meirelles, que a solidão e a tristeza são ótimas para ela, pois só nessa companhia que ela conseguia escrever. Acho que sou partidário dela. Preciso de tristeza e solidão pra poder me expressar, talvez seja pelo receio de ser julgado, talvez seja pelo medo de alguém dizer o que sempre me dizem: “Ora! Pare de ser tão dramático!”. Mas, acho que preciso desse drama para me fazer completo, pra poder respirar mais fundo.

Viver não é só sorrir. E eu acredito muito que quem só sorri, não sabe dar valor a esse gesto. Já quem  chora, sabe o valor de um bom sorriso. Quem não fica sozinho nunca, não sabe sentir o valor das boas amizades e da boa companhia. Acho que quem não sabe curtir e degustar a tristeza não sabe o valor da alegria. E até arrisco a dizer que quem acha que não pode ser maldoso, não conhece o verdadeiro significado de uma boa ação.

Sim, tudo isso passa por essa mente desvairada, nos silêncios das madrugadas frias e solitárias. Às vezes dói um pouco, poque eu sinto o meu peito um pouco pesado, mas é importante sentir essa gama de sensações. Da tristeza medonha até o presente da melhor companhia, há uma gama de situações que podemos viver e saborear.

É assim, que eu sempre aconselho as pessoas que me perguntam o que eu penso sobre um sentimento: “Tristeza? Alegria? Medo? Coragem? Pavor? Felicidade?… Saboreie…

~ por Samilo Takara em 4, Dezembro , 2008.

Uma Resposta to “Solidão”

  1. Converso horas comigo mesmo. Converso mais comigo que com os outros. E me conto tudo que penso. E critico tudo que faço… Um problema sério! Penso que se meu analista me ouvisse nestas horas teria plena certeza da minha insanidade. O pior é quando começo a conversar com os objetos, com as coisas… Converso com meus livros, com minhas roupas. Mas assumo: morro de medo que um dia eles respondam!

    Um abraço e um grande 2009 para você (sozinho ou bem acompanhado).

    Arthur

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