Três estrelas perdidas
Já quis viver em um mundo distante deste de hoje. Não gosto de estas aqui e ver que nesse momento eu sou apenas nada e que pouco importa o que acredito. Eu vivo das minhas idéias e acredito nelas tanto quanto acredito que não podemos viver uma vida muda, sem escolhas, sem bandeiras e sem vontades. Viver em silêncio é se oprimir sempre, e já não quero mais ter minha boca tapada por mãos que eu odeio.
Não gosto de gente que não respeita. Isso me irrita. Isso me violenta…Se eu amo, amo com carinho, com paciência, com cuidado. Amo cheio de compreensão e espero sempre poder partilhar do caminho com você…mas, caminhar por dois já não é do meu feitio. Nunca direi que não o fiz, entrentanto, fazê-lo agora vai contra meus ideais…Nunca tive certeza da grandiosidade que todos que me adoram dizem que eu tenho. Até o momento mais leve e mais impreciso, em que eu vi, que sou mais que apenas uma gota. Eu sou mais que um sorriso apático nesse oceano machista, patriarcal, racista e burro que chamam de sociedade.
Eu não quero me contentar com pouco. Não quero ter um casamento heterossexual medíocre, ter filhos para ensiná-los como vivem os meninos e como se portam as meninas. Eu nasci para a discussão, para analisar cada idéia proposta e contrariar-me em frente ao espelho. Eu sou exigente, sempre o fui comigo, e de agora em diante, passarei a exigir dos outros, porque descobri que Sartre, antes mesmo de eu sonhar em reencarnar, havia decifrado esse sentimento de impotência que sinto quando olho pra sociedade…”O inferno são os outros”…isso me alivia…percebo que não sou o único que pensa assim…
E mesmo que fosse. Sei que posso acreeditar em mim…

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